terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Serafim


Eis que surge um retirante.
Não é aquele que veio do campo,
mas no umbral, vejo o ser contemporâneo.
Mais que um, um bando que tenta seguir adiante.

Vale a pena?
Na madrugada, antes do primeiro raio de sol,
pela comida, busão, além de um pouco de besteirol?
A luta pela sobrevivência é algo sem fim.

Tudo tão descartado.
Joga-se fora coisa-homem,
cultura, valores, propósitos, restando é muita picaretagem.
Silenciosamente, uma sociedade descarada.

Com tanta miséria em todos os cantos,
e o egoísmo em todos os lados,
o que será da esperança desses pobres rejeitados,
Serafim?

domingo, 17 de abril de 2016

Vida de restos

Arrancados de perto de mim,
minhas palavras não valiam mais nada.
A força foi usada de forma covarde,
pois a fúria manipulou opiniões.

Impotente e humilhado,
levaram meu filho e a pátria amada.
E sem mais forças para resistir,
não adianta chorar, apenas partir.

Impedido de ser,
meus direitos foram violados.
E ainda que me reste viver,
quem deseja viver de restos?

Golpeado pelas costas,
levaram meu filho e meu povo.
E mesmo sem existir,
sigo à sonhar sem jamais desistir.

domingo, 20 de março de 2016

Num bueiro da cidade

De joelhos no bueiro,
o homem não dava sinais de esperança ou dignidade.
Onde poderia haver igualdade,
em terra que farsante é considerado guerreiro?
Peito nú e pé descalço,
sacava do bolso aquelas bitucas,
que em meio às mãos imundas,
travavam a contagem de tanto fracasso.
Sem poder ou mesmo existir,
bituca a bituca cai em direção ao esgoto.
Para um homem com tanto desgosto,
não há sequer a opção de sumir.
Aonde estão suas pegadas?
Mas o homem não falava,
só contava a porção que colecionava.
Eram tantas bitucas, todas apagadas.

domingo, 13 de março de 2016

Blackout

Miséria humana desenfreada,
Tudo está aparelhado.
Imagens desfiguradas,
Há muita maldade e muitos vilões.

Blackout.
Eu apago todas as luzes.
E se vão os personagens,
Corruptos, gananciosos, muitos medíocres e puxa-sacos.

Blackout.
No escuro só sinto o pulso.
Experimento o vazio,
de quem deseja mudar de curso.

Blackout.
E não vendo minha alma,
Vou ao resgate da minha razão,
mesmo que não haja luz,
em meio à escuridão.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O Kapital

O Kapital é massa orgânica que fede,
circuito que gera desequilíbrios e desigualdades.
Ele reina sem juízo,
sem ter prejuízo, mas com um único compromisso.
Tira a vida e coloca o cinza,
colorindo a mente mágica,
dos seres domesticados,
seduzidos com o brilho do feitiço do mercado.
Roda gigante incontrolável,
que devasta tudo por onde passa,
mantendo firme o seu rastro,
castrando sonhos feito um monstro.
Eis que restam os rentistas, a massa, as cartomantes, os consultores e futebolistas.
Não há espaço para o outro,
quando mercadorias assumem papel do povo.

O novo ciclo

No labirinto da vida,
são tantas as curvas,
que até perdi o sentido.
E em meio às cicatrizes,
e da identidade quase esquecida,
sigo em busca do desconhecido.
Do escuro, eis que surge um novo ciclo.
"Guerreiro, estás vivo?
Acorda!
Veja a luz e crie.
Vá e leve consigo seu sorriso.
Carregue sua garra e valentia.
Siga com amor e harmonia.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Saiba que vou chorar

Você precisa acreditar,
desejo te amar.
Te ouvir cantar, sorrir, dançar.

Quero te ver sambar,
gosto de te admirar,
te ver girar, girar e girar.

Durante todo o luar,
quero te acompanhar,
para, então, podermos brincar, brincar, brincar.

E quando o Sol raiar,
se você me abandonar,
saiba que eu vou chorar!