Eu cozinhava, você não estava.
Eu musicava, você não estava.
Eu carregava, você não estava.
Eu celebrava, você não estava.
Eu desejava, você não estava.
Eu chorava, você também não estava.
Eu precisava? Precisar, não precisava.
Eu cozinhava, você não estava.
Eu musicava, você não estava.
Eu carregava, você não estava.
Eu celebrava, você não estava.
Eu desejava, você não estava.
Eu chorava, você também não estava.
Eu precisava? Precisar, não precisava.
Praticidade
Se o mundo fosse prático,
para que serviriam as flores?
O que seriam das suas cores?
Talvez um lugar matemático?
E onde estariam os cantores,
se tudo fosse tão apático,
lototado de sujeito antipático?
Haveria lugar aos escritores?
O que dizer da nossa arte,
vivesse ela nesse lugar sem encanto?
Seria avistada em alguma parte?
A verdade é que já não me espanto.
Quando as formas de afeto vão a descarte,
porque não sobra nem espaço para derramar meu pranto.
Carnaval é distração, animação, azaração.
Pós-carnaval, ai não, volta a confusão, impera-se a compulsão, damos boas vindas à procrastinação.
Nessa vida gostaria de ter sido Rei por ao menos um único dia.
Quem sabe, assim, tivesse a chance de cruzar todos os mares, enfrentado monstros, cyclopes e dragões?
E voaria pelos ares cruzando continentes em meio à fúria dos vulcões e das mais temidas tempestades.
Talvez, assim, fosse também aclamado pelos mais violentos impérios que já foram vistos por aqui.
Seria ovacionado por trompetes em meio aos mais deliciosos banquetes, adornado em lindas flores e levado em meio aos lençóis da mais fina seda.
O que mais desejaria, quem sabe fosse assim, um dia, seria ser considerado Rei por aquela que escolhi como minha Rainha.
Fosse planejado, arrisco que não daria certo.
Pois na vida, encontros hora são marcados por desencontros, e os desencontros, hora marcados por encontros, geralmente chocantes.
Por isso num dia se está, no outro não mais, e nem o imobilizado é sinal de garantias.
Árvores levadas por enxurradas d'água, animais cercados pelo fogo que incendeia a floresta, vidas perdidas em meio a conflitos e guerras.
Num estalar de dedos, em meio a um piscar de olhos, e já não se está mais no mesmo lugar.
E se tudo fosse do avesso, as árvores fossem replantadas, os animais resgatados, as pessoas tratadas com respeito, se da ambição houvesse colaboração?
No lugar dos traumas, muito amor, ou melhor, muito poliamor.
Reformas da vida
em preto, branco e magento
Com gratidão ao ciclo encerrado
em direção aos novos espaços.
Da destruição também criativa
Surgem expressões antes inexploradas
Formas que trazem vida,
Vida que traz novos formatos.
Tempestade, milhares de colunas d'água sobre a cabeça, raios, trovões.
Energia que queima por dentro sob reações químicas multi metabólicas.
Universo de conexões, desconexões, encontros metafísicos, composições.
Pulsão de vida, respiração, batida do coração, alegrias, dores, emoções.
Cores vivas, vibram,
Entre os diversos tipos de açúcar que vão da rapadura ao açúcar mascavo, do cristal à sacarose refinada, da maltodextrina à frutose, glicose, falta nesta lista uma espécie principal do gênero, o açúcar-avó.
O gênero avó corresponde ao tipo de açúcar que marca nossas infâncias, que derrete só de olhar, que encanta o paladar, que marca o ato de amar. É o mais gostoso da vida, hummm, dá prazer só de pensar.
Doce, o mais doce dos meus vícios, doceira de mão-cheia, teve até doceira tão doce eram as suas mãos. Doce ilusão, era mais doce até que o pão, tão doce que era uma verdadeira perdição.