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domingo, 3 de maio de 2026

Ausência

Eu cozinhava, você não estava.

Eu musicava, você não estava.

Eu carregava, você não estava.

Eu celebrava, você não estava.

Eu desejava, você não estava. 

Eu chorava, você também não estava.

Eu precisava? Precisar, não precisava.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Vamos ser práticos?

 Praticidade 


Se o mundo fosse prático,

para que serviriam as flores?

O que seriam das suas cores?

Talvez um lugar matemático?


E onde estariam os cantores, 

se tudo fosse tão apático,

lototado de sujeito antipático?

Haveria lugar aos escritores?


O que dizer da nossa arte,

vivesse ela nesse lugar sem encanto?

Seria avistada em alguma parte?


A verdade é que já não me espanto.

Quando as formas de afeto vão a descarte,

porque não sobra nem espaço para derramar meu pranto.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Carnaval

Carnaval é distração, animação, azaração.

Pós-carnaval, ai não, volta a confusão, impera-se a compulsão, damos boas vindas à procrastinação.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Rei por um dia

Nessa vida gostaria de ter sido Rei por ao menos um único dia.


Quem sabe, assim, tivesse a chance de cruzar todos os mares, enfrentado monstros, cyclopes e dragões?


E voaria pelos ares cruzando continentes em meio à fúria dos vulcões e das mais temidas tempestades.


Talvez, assim, fosse também aclamado pelos mais violentos impérios que já foram vistos por aqui.


Seria ovacionado por trompetes em meio aos mais deliciosos banquetes, adornado em lindas flores e levado em meio aos lençóis da mais fina seda. 


O que mais desejaria, quem sabe fosse assim, um dia, seria ser considerado Rei por aquela que escolhi como minha Rainha. 

domingo, 18 de agosto de 2024

Politraumatismo

 

Fosse planejado, arrisco que não daria certo.
Pois na vida, encontros hora são marcados por desencontros, e os desencontros, hora marcados por encontros, geralmente chocantes.
Por isso num dia se está, no outro não mais, e nem o imobilizado é sinal de garantias.
Árvores levadas por enxurradas d'água, animais cercados pelo fogo que incendeia a floresta, vidas perdidas em meio a conflitos e guerras.
Num estalar de dedos, em meio a um piscar de olhos, e já não se está mais no mesmo lugar.
E se tudo fosse do avesso, as árvores fossem replantadas, os animais resgatados, as pessoas tratadas com respeito, se da ambição houvesse colaboração?
No lugar dos traumas, muito amor, ou melhor, muito poliamor.

Reformas da vida

 

Reformas da vida
em preto, branco e magento
Com gratidão ao ciclo encerrado
em direção aos novos espaços.

Da destruição também criativa
Surgem expressões antes inexploradas
Formas que trazem vida,
Vida que traz novos formatos.

Universo em emoções

 

Tempestade, milhares de colunas d'água sobre a cabeça, raios, trovões.

Energia que queima por dentro sob reações químicas multi metabólicas.

Universo de conexões, desconexões, encontros metafísicos, composições.

Pulsão de vida, respiração, batida do coração, alegrias, dores, emoções.

Cores

 

Cores vivas, vibram,
disparam emoção,
ultrapassando o poder da razão,
são texturas que aos olhos brindam.

domingo, 4 de outubro de 2020

Açúcar avó

Entre os diversos tipos de açúcar que vão da rapadura ao açúcar mascavo, do cristal à sacarose refinada, da maltodextrina à frutose, glicose, falta nesta lista uma espécie principal do gênero, o açúcar-avó.

O gênero avó corresponde ao tipo de açúcar que marca nossas infâncias, que derrete só de olhar, que encanta o paladar, que marca o ato de amar. É o mais gostoso da vida, hummm, dá prazer só de pensar.

Doce, o mais doce dos meus vícios, doceira de mão-cheia, teve até doceira tão doce eram as suas mãos. Doce ilusão, era mais doce até que o pão, tão doce que era uma verdadeira perdição. 

E de tão doce que era, sua doçura deu lugar ao um doce pecado. E do pote do açúcar avó agora vazio encontro outro tipo da espécie, não tão doce, apesar do nome açucarado, o chamado sugar blues!

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Ensolarado

Sob o friozinho do alvorecer,
o sol raiou para transmutar,
usurpar para si as emoções entre céu e mar,
levar aquilo que não se faz valer. 

Brilha forte e ofusca o luar,
luzes que irradiam e fazem arder,
urram chamas pra fazer esquecer,
extinguem ao pó, tudo, sem cessar. 

Cria com seu poderoso calor,
rupturas para novas formas de ir e vir,
y otras formas de cultivar el amor. 

Brincando e fazendo rir,
y voando como um beija-flor.
Ensolarado, tudo volta a florir.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Bugado

Meu relógio bugou,
e com ele eu buguei junto.
2h35 a mais do que a hora que deveria estar marcada.
E nada de conseguir fazer o ajuste, tava tudo desincronizado.

Tentava arrumar pela função manual,
Mas o relógio me dizia que eu estava sem localização,
GPS sem localização, um Garmin? Fiquei perdidasso.
Mal eu sabia que estava sendo restaurado, eu, não o relógio, que tentei reinicializar várias vezes e nada.

Meu relógio bugou,
mas fui eu quem fui bugado.
E não era a presunção da nossa catástrofe, que há de ser superada.
Foi na esfera cerebral, pois estava muito eletrizado.

Depois de horas o relógio foi finalmente encontrado,
Via satélite fui também resgatado,
das ideias que por hora me embaralhavam.
E se há horas em que até mesmo o melhor dos GPS falha, quem seria eu para achar que algum dia não poderia ser bugado?

sexta-feira, 3 de março de 2017

Jogo da vida

A vida parece um jogo, há os dias em que cantamos vitórias, outros em que amargamos derrotas.
Vencer é, em primeiro lugar, superar nossos próprios limites e, então, nos sentirmos repletos ao efeito dos hormônios que nos cercam.
Mais difícil, porém, é aceitar a derrota, colocar a mão na consciência, e receber das lições, a adrenalina que recobre o vazio do nosso ser.
Não importa se o jogo é justo ou injusto, se o oponente era covarde. Dia-a-dia temos a aprender, pois são as dificuldades que nos fazem crescer.
E se há esperança em tantos corações, vibrantes e unidos, é porque não há nada que não possa ser vencido, nada que deva ser temido, a menos o nosso próprio medo de vencer.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Serafim


Eis que surge um retirante.
Não é aquele que veio do campo,
mas no umbral, vejo o ser contemporâneo.
Mais que um, um bando que tenta seguir adiante.

Vale a pena?
Na madrugada, antes do primeiro raio de sol,
pela comida, busão, além de um pouco de besteirol?
A luta pela sobrevivência é algo sem fim.

Tudo tão descartado.
Joga-se fora coisa-homem,
cultura, valores, propósitos, restando é muita picaretagem.
Silenciosamente, uma sociedade descarada.

Com tanta miséria em todos os cantos,
e o egoísmo em todos os lados,
o que será da esperança desses pobres rejeitados,
Serafim?

domingo, 17 de abril de 2016

Vida de restos

Arrancados de perto de mim,
minhas palavras não valiam mais nada.
A força foi usada de forma covarde,
pois a fúria manipulou opiniões.

Impotente e humilhado,
levaram meu filho e a pátria amada.
E sem mais forças para resistir,
não adianta chorar, apenas partir.

Impedido de ser,
meus direitos foram violados.
E ainda que me reste viver,
quem deseja viver de restos?

Golpeado pelas costas,
levaram meu filho e meu povo.
E mesmo sem existir,
sigo à sonhar sem jamais desistir.

domingo, 13 de março de 2016

Blackout

Miséria humana desenfreada,
Tudo está aparelhado.
Imagens desfiguradas,
Há muita maldade e muitos vilões.

Blackout.
Eu apago todas as luzes.
E se vão os personagens,
Corruptos, gananciosos, muitos medíocres e puxa-sacos.

Blackout.
No escuro só sinto o pulso.
Experimento o vazio,
de quem deseja mudar de curso.

Blackout.
E não vendo minha alma,
Vou ao resgate da minha razão,
mesmo que não haja luz,
em meio à escuridão.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O novo ciclo

No labirinto da vida,
são tantas as curvas,
que até perdi o sentido.
E em meio às cicatrizes,
e da identidade quase esquecida,
sigo em busca do desconhecido.
Do escuro, eis que surge um novo ciclo.
"Guerreiro, estás vivo?
Acorda!
Veja a luz e crie.
Vá e leve consigo seu sorriso.
Carregue sua garra e valentia.
Siga com amor e harmonia.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sagitário

Cavalo indomável.
Homem com coração aprisionado.
Um louco apaixonado.

No curso da vida,
galopando por entre as trilhas,
no mundo do inimaginável.

Dos seus olhos de fogo,
as flechas seguem ao alvo,
voam firmes rumo ao inalcançável.

E vai longe, no horizonte,
imponente e incansável,
pelo caminho vazio, acompanhado da sua solidão.