sábado, 18 de março de 2017

O menino da bicicleta vermelha

O menino tem uma bicicleta vermelha.
Que apesar de ser vermelha,
a bicicleta vermelha do menino é de todas as cores.
E se de todas as cores o menino vê o mundo.
É porque a bicicleta vermelha do menino transforma, como num passe de mágica, o imaginário e as cores do nosso rumo.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Jogo da vida

A vida parece um jogo, há os dias em que cantamos vitórias, outros em que amargamos derrotas.
Vencer é, em primeiro lugar, superar nossos próprios limites e, então, nos sentirmos repletos ao efeito dos hormônios que nos cercam.
Mais difícil, porém, é aceitar a derrota, colocar a mão na consciência, e receber das lições, a adrenalina que recobre o vazio do nosso ser.
Não importa se o jogo é justo ou injusto, se o oponente era covarde. Dia-a-dia temos a aprender, pois são as dificuldades que nos fazem crescer.
E se há esperança em tantos corações, vibrantes e unidos, é porque não há nada que não possa ser vencido, nada que deva ser temido, a menos o nosso próprio medo de vencer.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Serafim


Eis que surge um retirante.
Não é aquele que veio do campo,
mas no umbral, vejo o ser contemporâneo.
Mais que um, um bando que tenta seguir adiante.

Vale a pena?
Na madrugada, antes do primeiro raio de sol,
pela comida, busão, além de um pouco de besteirol?
A luta pela sobrevivência é algo sem fim.

Tudo tão descartado.
Joga-se fora coisa-homem,
cultura, valores, propósitos, restando é muita picaretagem.
Silenciosamente, uma sociedade descarada.

Com tanta miséria em todos os cantos,
e o egoísmo em todos os lados,
o que será da esperança desses pobres rejeitados,
Serafim?

domingo, 17 de abril de 2016

Vida de restos

Arrancados de perto de mim,
minhas palavras não valiam mais nada.
A força foi usada de forma covarde,
pois a fúria manipulou opiniões.

Impotente e humilhado,
levaram meu filho e a pátria amada.
E sem mais forças para resistir,
não adianta chorar, apenas partir.

Impedido de ser,
meus direitos foram violados.
E ainda que me reste viver,
quem deseja viver de restos?

Golpeado pelas costas,
levaram meu filho e meu povo.
E mesmo sem existir,
sigo à sonhar sem jamais desistir.

domingo, 20 de março de 2016

Num bueiro da cidade

De joelhos no bueiro,
o homem não dava sinais de esperança ou dignidade.
Onde poderia haver igualdade,
em terra que farsante é considerado guerreiro?
Peito nú e pé descalço,
sacava do bolso aquelas bitucas,
que em meio às mãos imundas,
travavam a contagem de tanto fracasso.
Sem poder ou mesmo existir,
bituca a bituca cai em direção ao esgoto.
Para um homem com tanto desgosto,
não há sequer a opção de sumir.
Aonde estão suas pegadas?
Mas o homem não falava,
só contava a porção que colecionava.
Eram tantas bitucas, todas apagadas.

domingo, 13 de março de 2016

Blackout

Miséria humana desenfreada,
Tudo está aparelhado.
Imagens desfiguradas,
Há muita maldade e muitos vilões.

Blackout.
Eu apago todas as luzes.
E se vão os personagens,
Corruptos, gananciosos, muitos medíocres e puxa-sacos.

Blackout.
No escuro só sinto o pulso.
Experimento o vazio,
de quem deseja mudar de curso.

Blackout.
E não vendo minha alma,
Vou ao resgate da minha razão,
mesmo que não haja luz,
em meio à escuridão.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O Kapital

O Kapital é massa orgânica que fede,
circuito que gera desequilíbrios e desigualdades.
Ele reina sem juízo,
sem ter prejuízo, mas com um único compromisso.
Tira a vida e coloca o cinza,
colorindo a mente mágica,
dos seres domesticados,
seduzidos com o brilho do feitiço do mercado.
Roda gigante incontrolável,
que devasta tudo por onde passa,
mantendo firme o seu rastro,
castrando sonhos feito um monstro.
Eis que restam os rentistas, a massa, as cartomantes, os consultores e futebolistas.
Não há espaço para o outro,
quando mercadorias assumem papel do povo.